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Índice de Katz

Independência nas Atividades Básicas de Vida Diária (AVDs)

Marque, em cada uma das seis atividades, o que descreve o que a pessoa realmente faz hoje — não o que ela seria capaz de fazer. Cada atividade vale 1 ponto quando é feita sem ajuda, e a soma vai de 0 a 6.

1. Banho *
2. Vestir-se *
3. Uso da sanita *
4. Transferência *
5. Continência *
6. Alimentação *

Interpretação

O Índice de Katz foi publicado em 1963 por Sidney Katz e colaboradores e é a escala mais antiga e mais difundida para medir a independência nas atividades básicas de vida diária. Ele avalia seis funções essenciais do autocuidado e é usado por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e equipas de apoio domiciliário para dimensionar a necessidade de cuidado e acompanhar a evolução funcional de uma pessoa ao longo do tempo.

Pontuação Classificação Interpretação
6 Independente Realiza sozinha as seis atividades básicas de vida diária
3 – 5 Comprometimento moderado Precisa de ajuda em uma a três atividades básicas
0 – 2 Comprometimento funcional grave Precisa de ajuda na maioria ou em todas as atividades básicas

Os três nomes acima são os do próprio Índice de Katz, que descreve 6 como função plena, 4 como comprometimento moderado e 2 ou menos como comprometimento funcional grave. Como a escala original não batiza as pontuações 5 e 3, elas foram acomodadas na faixa central — assim nenhum resultado fica sem classificação. A pontuação exata (X/6) continua sendo a informação mais importante: 5 e 3 pesam de forma bem diferente no dia a dia, ainda que compartilhem a mesma faixa.

Como aplicar corretamente

  • Pontue o que a pessoa faz no dia a dia, e não o que ela seria capaz de fazer em condições ideais.
  • Independente significa fazer a atividade sem supervisão, sem orientação e sem a ajuda física de outra pessoa.
  • Quem se recusa a realizar uma atividade é pontuado como dependente nela, mesmo que consiga fazê-la.
  • Aparelhos de apoio (bengala, andarilho, barras, cadeira de rodas, órteses) não tiram a independência, desde que a pessoa os use sozinha.
  • Sempre que possível, baseie a pontuação na observação direta, complementada pelo relato de quem convive com a pessoa.
  • A perda funcional no Índice de Katz costuma seguir uma ordem previsível — o banho é geralmente a primeira função a se perder e a alimentação, a última. Uma sequência muito fora dessa ordem merece um olhar mais atento.
  • O índice mede as atividades básicas do autocuidado; ele não avalia cognição, humor, marcha nem tarefas mais complexas da vida em casa.

O que se usa em Portugal

Em Portugal o instrumento de referência para as AVD é o Índice de Barthel, recomendado pela Direção-Geral da Saúde e pela Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, e é também o que acompanha a funcionalidade na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, pesando na referenciação à alta.

O Katz é largamente conhecido e usado, sobretudo como triagem rápida, mas não é o instrumento oficial da rede portuguesa e, ao contrário do Barthel, não tem versão traduzida e validada para Portugal. Para registo formal ou para processos ligados à RNCCI, use o Barthel; o Katz serve bem a leitura rápida de quanto cuidado direto é preciso.

Katz, Barthel e Lawton — qual usar?

As três escalas medem funcionalidade, mas em profundidades diferentes:

  • Katz (0–6) — atividades básicas de vida diária, resposta sim ou não. É rápido, fácil de aplicar por familiares e cuidadores, e excelente para uma visão geral e para triagem.
  • Barthel (0–100) — as mesmas atividades básicas, mais mobilidade e escadas, com pontuação graduada em cada item. Detecta melhor as pequenas mudanças ao longo da reabilitação.
  • Lawton — atividades instrumentais: usar o telefone, fazer compras, cozinhar, cuidar da casa, tomar os medicamentos na hora certa, administrar o dinheiro, usar transporte. São as primeiras a se perder e por isso ajudam a detectar declínio precoce em quem ainda pontua 6 no Katz.

Na prática, Katz e Lawton se complementam: o Lawton percebe a perda no seu início, o Katz mostra o quanto de cuidado direto já é necessário.

Nota histórica e versões da escala

A publicação original de 1963 classificava as pessoas com letras de A a G — A para quem era independente nas seis funções e G para quem dependia de ajuda em todas — de acordo com a combinação de atividades preservadas. A pontuação numérica de 0 a 6, usada aqui, substituiu as letras na prática clínica e na pesquisa por ser mais simples de somar, de comparar e de acompanhar no tempo.

Quem procura por "Katz modificada" costuma encontrar quatro coisas diferentes: a versão em letras acima; a chamada Modified Katz ADL, que é apenas a redação revista dos mesmos seis itens de 0 a 6, ou seja, exatamente a que está nesta página; a Katz-15, usada sobretudo nos Países Baixos, que soma ao Katz itens de atividades instrumentais; e a Katz Extended ADL Index, extensão sueca de 1984, também com itens instrumentais. As duas últimas avaliam um terreno que é do Lawton, e não são a escala de uso corrente.

Referências

  • 1. Katz S, Ford AB, Moskowitz RW, Jackson BA, Jaffe MW. "Studies of Illness in the Aged. The Index of ADL: A Standardized Measure of Biological and Psychosocial Function." JAMA. 1963;185(12):914–919. PubMed ↗
  • 2. Katz S. "Assessing self-maintenance: activities of daily living, mobility, and instrumental activities of daily living." J Am Geriatr Soc. 1983;31(12):721–727. PubMed ↗
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