Taxa Metabólica Basal
Equação de Mifflin-St Jeor
A taxa metabólica basal é a energia que o corpo gasta apenas para se manter funcionando em repouso — respiração, circulação, temperatura, atividade das células. É o piso do gasto diário, antes de somar qualquer movimento. Preencha os quatro campos abaixo para estimá-la.
Resultado
Gasto energético total estimado, por nível de atividade
| Nível de atividade | Fator | kcal/dia |
|---|
Estes multiplicadores são prática consolidada, não fonte primária — veja o quadro sobre níveis de atividade abaixo antes de usá-los.
O que esta calculadora estima
A equação de Mifflin-St Jeor foi publicada em 1990 por um grupo da Universidade de Nevada, a partir de 498 adultos saudáveis de 19 a 78 anos, metade deles com obesidade. O gasto de cada participante foi medido por calorimetria indireta — a técnica de referência, que estima o gasto pelo consumo de oxigênio e pela produção de gás carbônico — e a equação foi ajustada sobre esses valores medidos.
Em 2005, uma revisão sistemática comparou as equações preditivas disponíveis e concluiu que a Mifflin-St Jeor é a mais confiável em adultos: acerta dentro de 10% do valor medido em mais pessoas, com e sem obesidade, do que qualquer outra. Foi por isso que a Academy of Nutrition and Dietetics passou a recomendá-la como equação padrão para adultos saudáveis.
| Equação | Fórmula (peso em kg, altura em cm, idade em anos) |
|---|---|
| Mifflin-St Jeor — homens | 10 × peso + 6,25 × altura − 5 × idade + 5 |
| Mifflin-St Jeor — mulheres | 10 × peso + 6,25 × altura − 5 × idade − 161 |
| Harris-Benedict revisada — homens | 88,362 + 13,397 × peso + 4,799 × altura − 5,677 × idade |
| Harris-Benedict revisada — mulheres | 447,593 + 9,247 × peso + 3,098 × altura − 4,330 × idade |
Uma sutileza de procedência. O artigo de 1990 publica duas formas da equação. A obtida diretamente da regressão é 9,99 × peso + 6,25 × altura − 4,92 × idade + 166 × sexo − 161, com sexo valendo 1 para homens e 0 para mulheres. A que se usa em toda parte — e a que esta calculadora aplica — é a versão simplificada e separada por sexo, publicada no mesmo artigo, com os coeficientes arredondados para 10 e 5. As duas dão resultados muito próximos, mas não idênticos. Se você comparar com uma fonte que use os coeficientes originais, a diferença de alguns poucos quilocalorias vem daí.
De onde vêm os fatores de atividade — e por que tratá-los com reserva
A tabela de gasto total que aparece no resultado multiplica a taxa basal por um fator de atividade. Vale saber exatamente o peso de evidência de cada parte:
- A taxa basal tem fonte primária — é a equação publicada e validada contra calorimetria indireta.
- Os fatores 1,2 · 1,375 · 1,55 · 1,725 · 1,9 não têm. São quase sempre atribuídos à Harris-Benedict, mas não estão em nenhum dos dois artigos. A atribuição mais rastreável é ao livro Exercise Physiology, de McArdle, Katch e Katch, de 1996. Circulam há décadas sem derivação empírica publicada.
- Existe uma escala com medição por trás, e é outra: os níveis de atividade física (PAL) da FAO, da OMS e da Universidade das Nações Unidas, de 2004, obtidos por água duplamente marcada. Ali um estilo de vida sedentário ou leve fica entre 1,40 e 1,69; ativo ou moderadamente ativo, entre 1,70 e 1,99; vigoroso, entre 2,00 e 2,40.
- As duas escalas não são intercambiáveis. Repare que o 1,2 de "sedentário" da primeira lista é mais baixo do que o piso de 1,40 da segunda. Não são o mesmo número com nomes diferentes: partem de definições distintas do que conta como um dia inteiro de atividade.
Na prática: use o gasto total como ponto de partida para ajustar depois, acompanhando peso e resposta ao longo das semanas — não como um alvo calórico exato. A parte da conta que é confiável é a taxa basal.
Como usar corretamente
- Use o peso atual, não o peso desejado nem o peso ideal. A equação foi construída sobre o peso real das pessoas medidas, inclusive das que tinham obesidade.
- Toda equação preditiva é uma estimativa populacional aplicada a um indivíduo. Mesmo a melhor delas erra mais de 10% em cerca de um a cada cinco casos, e o erro tanto pode ser para mais quanto para menos. Quando o número exato importa de verdade, o que se faz é medir por calorimetria indireta.
- Não use isto para restrição calórica agressiva. Um valor estimado abaixo do real, somado a um corte grande, produz uma dieta bem mais restritiva do que a pretendida. Qualquer plano alimentar com meta de perda de peso deve ser conduzido por um profissional.
- A taxa basal não é um retrato do "metabolismo rápido ou lento" de alguém. Ela varia sobretudo com massa corporal, altura, idade e sexo, e a maior parte da diferença entre duas pessoas do mesmo tamanho vem da quantidade de massa magra.
- Recalcule quando o peso mudar de forma relevante. Perder ou ganhar peso desloca a taxa basal.
Onde a equação não se aplica
- Crianças e adolescentes — a população de origem tinha 19 anos ou mais. Para menores usam-se outras equações, como as de Schofield e as da FAO/OMS.
- Gestantes e lactantes — há acréscimos energéticos próprios de cada trimestre e da lactação, que a equação não contempla.
- Doentes críticos — em terapia intensiva, sepse, grandes queimados ou politrauma, o gasto se afasta muito do previsto por qualquer equação; a recomendação das normas é medir.
- Obesidade grave e magreza extrema — nos extremos de peso a margem de erro cresce, e a escolha de qual peso usar na conta passa a ser discussão clínica.
- Atletas e pessoas com muita massa muscular — a equação tende a subestimar. Nesses casos, equações baseadas em massa magra costumam ir melhor, e para isso é preciso primeiro estimar a composição corporal.
- Doença da tireoide não controlada e algumas outras condições endócrinas deslocam a taxa basal de forma que a equação não capta.
Ferramentas que se completam
A taxa metabólica basal é uma das três medidas que costumam ser lidas juntas numa avaliação nutricional:
- Índice de Massa Corporal — situa o peso em relação à altura e classifica pelos critérios da OMS. Usa os mesmos dois campos desta página.
- Percentual de Gordura Corporal — separa o que é massa gorda do que é massa magra. É a peça que falta aqui: como a massa magra é o que mais determina a taxa basal, duas pessoas com o mesmo peso e a mesma altura podem ter gastos bem diferentes.
Referências
- 1. Mifflin MD, St Jeor ST, Hill LA, Scott BJ, Daugherty SA, Koh YO. "A new predictive equation for resting energy expenditure in healthy individuals." Am J Clin Nutr. 1990;51(2):241–247. PubMed ↗
- 2. Frankenfield D, Roth-Yousey L, Compher C. "Comparison of predictive equations for resting metabolic rate in healthy nonobese and obese adults: a systematic review." J Am Diet Assoc. 2005;105(5):775–789. PubMed ↗
- 3. Roza AM, Shizgal HM. "The Harris Benedict equation reevaluated: resting energy requirements and the body cell mass." Am J Clin Nutr. 1984;40(1):168–182. PubMed ↗
- 4. Food and Agriculture Organization, World Health Organization, United Nations University. Human Energy Requirements: Report of a Joint FAO/WHO/UNU Expert Consultation. Roma; 2004. fao.org ↗
- 5. McArdle WD, Katch FI, Katch VL. Exercise Physiology: Energy, Nutrition, and Human Performance. 4ª edição. Baltimore: Williams & Wilkins; 1996.
- 6. Mustra C, Loureiro MHVS. "As necessidades energéticas basais medidas por calorimetria indireta versus equações preditivas. A avaliação da população Portuguesa justifica-se?" Acta Portuguesa de Nutrição. 2023;32:82–89. DOI ↗